18 Dez 2014

   
Dor Cranio Facial e Coluna Cervical
Prof. Dr. Nelson Colombini
 

Na clínica diária, não rara vezes o médico e, em especial, as áreas ligadas à dor craniofacial se deparam com queixas que incluem a dor cervical e até mesmo o ombro. Como cirurgião de cabeça e pescoço, procuramos avaliar possíveis causas dentro da especialidade e muitas vezes nos sentimos despreparados ao diagnóstico, mesmo que, presuntivo de cefaléia cervicigênica. Podemos partir do princípio que o dor cervicongênica parece não ter tão freqüente quanto diagnosticada.

Sendo o diagnóstico de dor cervicongênica somente justificado se a dor puder ser reproduzida por uma manobra cervical específica, ou se responder satisfatoriamente ao tratamento dirigido à coluna cervical. Com relação às cefaléias de origem cervicogênica, pode-se dizer que estas se restringem ao comportamento do segmento superior da coluna cervical e são referidas usualmente na região inervada pelo nervo occipital maiores . Este nervo emerge da goteira craniana na região occipital, entre a inserção dos músculos trapézio e esternocleidomastóideo. É formado a partir de C1 e C2 e relaciona-se intimamente com a artéria vertebral.
Na verdade, a dor cervicongênica pode ter várias causas como músculos exigidos por vícios de postura momento inadequado do pescoço, pós -trauma por hiperflexão ou hiperextensão e tensão emocional. No entanto, as raízes nervosas que emergem das articulações facetarias cervicais também podem ser origem da dor craniofacial. Se recordarmos , veremos que a face tem sua inervação sensitiva proveniente principalmente do trigêmio e do facial (porção sensitiva). Quanto ao nervo facial, as vias sensitivas interessam as regiões periorbitária, periocular e nasal. Estas fibras sensitivas também são responsáveis pela sensibilidade gustativa para língua, através de fibras do nervo lingual do trigênio e corda do tímpano facial.
O nervo facial também transporta a sensibilidade da glândula parótida via gânglio óptico e nervos genículo-timpânico. Assim, a porção sensitiva do nervo facial que interessa à dor surge de células unipolares inervadas por fibras do trato solitário na ponte. Complementando a inervação, os nervos cervicais . Dispõe-se nas regiões , pré-auricular, cervicomandibular e craniana póstero-lateral. As raízes nervosas cervicais delimitam dermátomos onde poderemos observar quadros dolorosos , que quando relacionados a estas estruturas se manifestarão no padrão destes dermatomos .
René Caillet caracteriza a cefaléia cervicongênica, da seguinte forma:

1 - A dor de cabeça é crônica e recidivante.
2 - Dor no ombro e dor interescaprilar podem ser sintomas associados .
3 - História pregressa de trauma leve e severo.
4 - Dor relacionada com movimento do pescoço e da cabeça, bem como postural.
5 - A cefaléia é assimétrica, irradiada ao pescoço, base de crânio, frontal e temporal.
6 - Não há localização precisa que permita diferenciar uma cefaléia cervicongênica de outros tipos de cefaléia.
7 - A dor é em pressão.
8 - Pela participação do sistema nervoso autônomo podem estar associados sintomas de vertigem e tontura.
9 - Lacrimejamento, hiperemia conjuntival e edema palpebral podem estar presentes . A propedêutica básica para detecção de dor origem na coluna cervical pode ser realizada por qualquer médico, com o objetivo de descarte das situações duvidosas .


Prof. Dr. Nelson E. P. Colombini
 
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