1 Set 2014

   
Disfunção Craniomandibular
Prof. Dr. Nelson Colombini
 

Estudos epidemiológicos em populações específicas podem variar sobremaneira os resultados obtidos , devido a fatores que podem alterar por completo os dados da pesquisa. O fator sexo, por exemplo, mostra uma maior prevalência da disfunção craniomandibular (DCM) em mulheres do que em homens , no entanto, proporções de 3 para 1 variaram em até 9 para 1 (Mcneill, 1985; Centou et. al 1989; Howard, 1990).

Oscilações também podem ocorrer com o fator idade, raça, profissão, tipo de oclusão, tratamentos executados , hábitos associados etc. Embora todos os métodos , normas e cuidados sejam direcionados com muito critério nas avaliações das disfunções craniomandibulares , algumas discrepâncias e/ou distorções nos dados podem surgir em relação ao fator dor. O Subcommite on Toxonomy of the International Association for the Study of Pain porpõe conceituar a dor como "uma experiência desagradável, sensorial e emocional, associada com dano real ou potencial ao tecido, ou descrita em termos de tais danos ". Vê-se claramente neste conceito o cuidado em mostrar a forte interação do fator psicológico na dor.
Bell chega a afirmar que a intensidade da injúria física e a dor, muitas vezes não são coincidentes , ou seja, pessoa pode ficar relativamente livre da dor se estiver distraída de acontecimentos que tenham a ver com autopreservação, resistência ou obtenção de auxílio. Nota-se também a influência psicológica da dor nas reações , sensações e interpretações , onde, teoricamente, um mesmo estímulo pode originar desde um simples formigamento a queimações e ferroadas em pacientes distintos . Becher, mostrou em seus estudos , a alta interação psicológicas da dor, onde pacientes submetidos a tratamentos placebos respondiam favoravelmente na remissão dos sintomas dolorosos . Outro fato importante se prende na questão dor estar relacionada a sistemas protetores que muitas vezes , ocorrem tardiamente para exercer tal fator de proteção, ou seja, a dor só aparece em situações já muito evoluídas .
Assim, tratar única e exclusivamente a dor pode ser um tanto quanto arriscado, mesmo porque, a odontologia atual busca o cuidado, a prevenção, a manutenção e não simplesmente "arrumar o que está quebrado". Deve-se, na posição de terapeuta, ordenar e classificar todos os sinais e sintomas possíveis , através de minuciosa anamnese, cuidadoso exame clínico e direcionados exames complementares . Gerber e Steinhard (1973) observaram severas mudanças estruturais nas articulações , não somente nos casos de extremas perdas dentais , mas também em casos de total dentição natural. No entanto, enfatizaram que mesmo sem dor ou espasmo muscular, a desarmonia oclusal, se presente, deve ser reconhecida e tratada no intuito de prevenir traumas futuros nas ATMs . Esta linha de raciocínio nos sugere cuidado especial às crianças e adolecentes , os quais , ainda em desenvolvimento, apresentam melhores condições de resolução e estabilidade nos tratamentos . Apesar do componente subjetivo e suas ligações aos processos neocorticais (atenção, ansiedade, sugestão) é a dor o principal indicativo de que algo não anda bem. Se presente, teoricamente existe uma causa que deve ser reconhecida e tratada, a maioria das disfunções craniomandibulares (DCM) desenvolve dor pode ser aguda ou crônica. É considerada crônica quando persiste por mais de seis meses , com ligações diretas a fatores comportamento e/ou psicológicos . Estimativas comprovam que a maior porcentagem das dores está na cabeça, sendo que uma entre três pessoas sofre de tal mal, com incidência elevada também em crianças .
A dor nas disfunções crânio mandibulares (DCM) pode aparecer nos olhos , ouvidos , dentes , cabeça, face, nuca e regiões interligadas . Pode ser localizada, difusa ou referida. A dor localizada, também camada de primária, é aquela onde conseguimos detectar a verdadeira fonte nociceptiva, diferentemente do que ocorre com difusa, onde profissional e até mesmo o sofredor têm dificuldade em relacionar o ponto exato da dor. Já a dor referida, ou heterotópica, é sentida em uma área inervada por um nervo diferente daquele que medeia a dor primária.
A dor referida normalmente está relacionada aos trigger points , que são pequenos nódulos de tecido muscular degenerado, oriundos de situações traumáticas .
Para o reconhecimento da dor e suas conseqüências nas disfunções craniomandibulares (DCM), a intimidade com o sistema estomastognático é condição sine qua non. Ao nível de classificação, as DCM são divididas em:

1 - Disfunções extra-articulares
2 - Disfunções intra-articulares

As disfunções extra-articulares envolvem os componentes esqueletais craniocervicomandibulares e o seu relacionamento com os dentes e sistema neuromuscular. A falta de harmonia do conjunto dentes , ATMs e sistema neuromuscular favorecem o aparecimento da disfunção miofacial. A disfunção muscular é o mais comum diagnóstico clínico, porém, sua sintomatologia é complexa com variações diretamente relacionadas aos fatores contribuintes , comportamentais e psicológicos . Normalmente, os desarranjos musculares são acompanhados de limitações nos movimentos mandibulares , incoordenação dos músculos alterados , inabilidade de exercer funções adequadamente e dor, que pode se estender por toda a cabeça, face, pescoço e outras várias estruturas do sistema estomatognático. É fato, que existem três meios para o controle da dor miofascial: redução do estresse, redução da reação do paciente a estresse e melhoria das relações oclusais . A dor é o principal sinal/sintoma. A dor miofascial se origina dos músculos (MIO), tecidos conjuntivos (FASCIA) e tendões . É o resultado do estiramento, da contração forçada ou mantida, da isquemia ou da hiperemia. A dor muscular pode ser clinicamente classificada em quatro diferentes tipos clínicos :

1 - Dor de contenção protetora
2 - Dor do ponto de desencadeamento miofascial
3 - Dor de espasmo muscular
4 - Dor de inflamação muscular
5 - Fibromiosit


Prof. Dr. Nelson E. P. Colombini
 
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