22 Nov 2014

   
Rinites Agudas e Crônicas
Prof. Dr. Pedro Luiz Mangabeira Albernaz
 

RINITEs AGUDAs
Rinite Aguda Vestibular
Caracteriza-se por inflamações do vestíbulo nasal, que pode manifestar-se por vermelhidão local, fissuras , rágades , exulcerações e até ulcerações . Elas podem evoluir para a formação de foliculite na raiz das vibrissas , ou verdadeiros furúnculos . As causas mais comuns são as secreções ou crostas decorrentes das infecções naso-sinusais agudas ou crônicas , geralmente associadas ao hábito de limpar constantemente o nariz com lenço, papel ou dedos . De evolução habitualmente benigna, podem tornar-se dramáticas quando sua etiologia for o estreptococo, pela possibilidade de ocorrer erisipela na face ou flebites graves , que se podem propagar ao s ínus cavernoso.
O tratamento consiste, nos casos simples , do uso de cremes contendo antibióticos , antimicóticos e antiinflamatórios . Deve-se evitar o uso de pomadas , principalmente em crianças , devido á possibilidade de aspiração e complicações pulmonares . Nos casos mais intensos , além do tratamento local, deve-se fazer uso de antibioticoterapia sistêmica, com comprovada ação sobre o estreptococo, e drenagem dos furúnculos estabelecidos .

Rinite Aguda Catarral
Geralmente decorrente de infecção viral, evolui em dois estágios . No estágio inicial a mucosa agredida pelo vírus reage formando transudado, com a finalidade de eliminar os agentes agressores . Há estimulo na produção de muco, com todos os seus componentes de defesa e mediadores imunológicos . Observaremos então diferentes graus de edema e hiperemia, dependendo da intensidade da agress ão, e reação inflamatória geralmente discreta. Esse tipo de reação mucosa é facilmente revers ível, na maioria das vezes sem nenhum tipo de tratamento médico. Dura em média, três a quatro dias .
No segundo estágio, ou estágio bacteriano, as alterações locais decorrentes da infecção viral favorecem a infecção bacteriana secundária por germes usuários das cavidades nasais e paranasais . Para combater o crescimento bacteriano, o organismo envia ao local grande numero de leucócitos , o que ocasiona o aparecimento de secreções francamente purulentas . A mucosa exibe maiores graus de edema e hiperemia e uma reação inflamatória muito mais intensa. Pode haver a cronificação do processo.
são muitos os fatores predisponentes da rinite catarral aguda, sendo os principais agrupados em ambientais , climáticos , nutricionais , imunológicos , loco-regionais e familiares . O diagnósticos nem sempre é fácil, porque vários dos sintomas e sinais apresentados são comuns a inúmeras outras entidades clínicas , principalmente as doenças exantemáticas e crises alérgicas . No estágio inicial predominam os sintomas gerais , como febre, tosse, calafrios , dores musculares , sensação de cansaço, cefaléia e fraqueza.
Os sintomas e sinais locais são rinorréia (fluxo de mucosidade pelo nariz) aquosa, obstrução nasal, espirros e hiposmia. O exame das cavidades nasais mostra edema e hiperemia da mucosa, com abundante secreção aquosa e freqüente concomitância de rinite vascular. No estágio bacteriano predominam os sintomas e sinais locais , como secreção mucopurulenta, obstrução nasal, facialgias e dor de garganta. O exame das cavidades nasais mostra o mesmo aspecto da mucosa, porem as secreções são mucopurulentas ou francamente purulentas . O tratamento das rinites catarrais agudas pode limitar-se as medidas gerais , no estágio inicial, ou pode necessitar de medidas específicas quando houver o estágio bacteriano.
Medidas gerais : têm a finalidade de ativar os reflexos vasoconstritores nasais .

· Dormir em decúbito supino, com a cabeceira da cama elevada de 30 a 45o ; a permeabilidade nasal melhora 20% nessa posição.

· Fazer exercícios vigorosos , como bicicleta ergométrica, flexões abdominais e outros ; melhoram a patência nasal pela indução de vasoconstricão.

· Hipertemia - é o mais universal dos métodos de tratamento das rinites catarrais . As inalações quentes , de preferência sem o uso de substâncias aromatizantes , como o mentol e o eucalipto, têm ampla aceitação no mundo inteiro. Temperatura acima de 43ºC bloqueiam a replicação do rinovírus , respons ável pó 60 a 90% das infecções das vias superiores .

· Descongestionantes sistêmicos têm uso rotineiro no tratamento da rinite catarral, com a finalidade de reduzir o edema das conchas nasais , reduzir a congestão e melhorar a permeabilidade nasal. Eles têm a capacidade de reduzir a resistência respiratória nasal em 30%. Seu uso deve ser acompanhado sempre de orientação quanto a postura do corpo ao dormir, ou seja, cabeceira da cama elevada de 30 a 45º. A eficácia dos descongestionantes não deve ultrapassar as normas de segurança, e sua associação com a cafeína tem sido respons ável pela maioria dos efeitos hipertensivos graves . Seu principal inconveniente é produzir rápida desidratação das secreções , que pode levar a falência do sistema mucociliar e favorecer a infecção bacteriana e sua cronificacão. Por isso seu uso deve ser restrito aos primeiros três ou quatros dias do tratamento.

· Descongestionantes tópicos são extremamente úteis por curto espaço de tempo, de três a sete dias e em circunstância bem específicas . Eles melhoram a permeabilidade nasal, principalmente em crianças , facilitando a alimentação, quando a congestão nasal não responde bem aos exercícios ; e melhoram a depuração mucociliar quando há excesso de secreção, principalmente quando houver suspeita de comprometimento da tuba auditiva. Nas crianças muito pequenas devem ser utilizados com extrema cautela, pois podem ocasionar efeitos secundários s érios , geralmente expressos por hipotermia, atonia e convuls ões .

· Soro fisiológico isotônico- é extremamente útil no estágio bacteriano das rinites catarrais , porque ajuda a eliminação das secreções e facilita a ação dos descongestionantes , além de melhorar o pH e a função mucociliar. É preferível utilizar os produtos comercialmente disponíveis para o uso nasal, por serem estabilizados quimicamente. O soro fisiológico puro se contamina facilmente pela exposição ao ar.
Medidas específicas : têm a finalidade de combater a infecção. A maioria das rinites catarrais pode ser tratada com antibióticos orais . As regras importantes no tratamento com antibióticos são as seguintes :
· Duração do tratamento: de 7 a 10 dias .

· o paciente deve apresentar sinais e sintomas de melhora nas primeiras 72 horas ; se isso não ocorrer, devemos acrescentar outro antimicrobiano ou substituir o primeiro.

· o tratamento deve visar as bactérias mais comuns , levando em conta as cepas produtoras de beta-lactamase.

· A posologia deve ser adequada ao peso, a idade e a gravidade dos sintomas . Como primeira escolha, dispomos da amoxicilina, eventualmente associada ao ácido clavulânico, e a cefalexina.
Rinite Aguda Catarral do Lactente
Devido ao pequeno tamanho das cavidades nasais e ao reflexo de respiração nasal do lactente, a instalação de uma rinite catarral aguda pode determinar quadro de grande risco e gravidade. A obstrução nasal, geralmente completa, compromete a alimentação e a oxigenação. A febre e a infecção podem levar a toxemia (infecção do sangue).
O processo pode se estender aos olhos , originando conjuntivite; as orelhas , determinando otite; e as vias respiratórias baixas , ocasionando traqueobronquite. É fundamental o exame da secreção nasal, além do interrogatório específico da mãe, para se afastar a possibilidade de uma rinite gonocócica ou luética.
O tratamento da rinite catarral aguda do lactente consiste na desobstrução freqüente das fossas nasais , com aspirações cuidadosas e ass épticas . Emprega-se o soro fisiológico isotônico frio para higiene das fossas nasais . Antitérmicos e antibióticos devem ser introduzidos precocemente

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