Mergulho. Como prevenir acidentes ?


Por Alexandre Mattioli

História do mergulho
Desde sempre o mergulho provoca prazer e admiração.Todos deviam, pelo menos, aprender os mergulhos mais simples. O mergulho é tão antigo quanto à arte da natação. Esta prática já existia nos tempos dos antigos Gregos e sobre os seus vasos achavam ?se reproduzidos vários mergulhos. Já Aristóteles conhecia o mergulho e mais tarde, criou-se um concurso do veterano de ginástica, a natação Alemã e o mergulho. Seu axioma era ?Nenhum estádio é completo sem piscina, e muito mais agradável após uma ligeira ducha pular com elegância dentro da água, cabeça ou pernas para frente, do que entrar nela morosamente?.Mas não pule com hesitação ou medo. O medo é o maior inimigo do sucesso (Glucker, 1975).

Aspectos do mergulho
O mergulho é um dos maiores causadores de acidentes na natação, podendo ser de grande gravidade quando a cabeça e a coluna vertebral são lesionadas (Maierá, 1999). Uma pesquisa desenvolvida pelo Hospital das Clínicas revela que a cada semana dez pessoas ficam paraplégicas ou tetraplégicas no Brasil, ao bater a cabeça durante o mergulho, que na sua maioria são jovens (90%), entre 10 e 25 anos. O mergulho é responsável por 10% dos 8.000 casos de fratura na coluna, que ocorrem anualmente no Brasil. Perde apenas para acidentes de trânsito, perfuração à bala e quedas em geral. E dessas 800 pessoas que sofrem acidentes durante o mergulho, 533 ficam paraplégicas ou tetraplégicas. Durante o verão o mergulho passa a ser a segunda causa de lesão na medula, perdendo apenas para os acidentes de carro. Os acidentes (77%) acontecem em sua maioria em ambientes naturais, como piscinas, rios, etc. Geralmente ocorrem nos fins de semana, 76% em situações de lazer (Lambert, 2003).

Aspectos específicos das lesões medulares
Winnick (1990), define as lesões medulares como condições que resultam de um trauma sofrido pela vértebra e/ou pelos nervos da coluna espinhal, o qual leva à lesão da medula. Essa lesão em geral deixa como seqüela no indivíduo um grau de paralisia, que será tanto maior quanto mais alto for o nível do trauma. Adams, Daniel e Rullman (1985), Souza (1994) e Palmer (1990) descrevem que as causas mais comuns das lesões medulares são acidentes de automóvel, quedas de locais altos, mergulho em águas rasas, ferimento com armas brancas. Estas lesões ocorrem com maior freqüência em homens adultos e jovens.

Biomecânica das lesões medulares em acidentes por mergulho
Devido à sua estrutura biomecânica, a coluna cervical é a mais vulnerável ao trauma do que as outras regiões da coluna vertebral. A grande maioria das vértebras que sobrevivem às lesões medulares ao nível da coluna cervical é atingida abaixo da primeira e da segunda vértebra (C1 e C2). Isso se deve, em grande parte, a dois fatores básicos o canal vertebral, por onde passa a medula, é bastante largo na junção crânio-vertebral, ocupando apenas 50% do espaço disponível o que possibilita no trauma que os ossos fragmentados ou desconjuntados tenham boa chance de ocupar os espaços vazios, sem atingir necessariamente a medula. Por outro lado quando a medula é atingida a esses níveis a chance de sobrevivência é reduzida, pois as lesões completas à altura dessas vértebras interrompem a inervação do diafragma, nesses casos a ausência de socorro apropriado imediato inviabiliza, na maioria das vezes, a chance de sobrevivência, devido à falência respiratória imediata (Psychic 2003).

Como ocorre o acidente
1º A pessoa mergulha em uma local sem conhecer a profundidade. (anexo 1).
2º Ao mergulhar com o corpo curvado em local raso, bate a cabeça no solo. (anexo 2).
3º Após o impacto com o solo, o pescoço recebe o peso do corpo, absorvendo o impacto e produzindo uma brusca flexão do pescoço podendo ocasionar uma fratura ou deslocamento de vértebra cervical, (geralmente a C5 ou a C6), que pode resultar em trauma da medula espinhal. (anexo 3).
4º As vértebras ao se quebrarem comprimem a medula responsável pela transmissão das ordens vindas do cérebro para todas as regiões do corpo humano.
5º A compressão da medula causa uma necrose (morte dos tecidos e células da região atingida), o que impede a transmissão dos estímulos vindo do cérebro e também da sensibilidade dos membros.
6º A pessoa fica paralisada e não sente seus membros. De acordo com o grau da lesão da medula, o mergulhador pode ficar tetraplégico, (sem movimentação nos braços e nas pernas) ou paraplégico, paralisado apenas nas pernas (Psychic 2003).

Segurança antes do mergulho
Segundo Palmer (1990), a primeira questão de segurança é a profundidade suficiente para mergulhar. Na execução do mergulho a pessoa atinge cerca de 15 Km/h e se o mesmo entrar na água numa posição quase que vertical, esta velocidade irá descrever uma trajetória descendente muito veloz em direção ao fundo da piscina de 2 metros de profundidade. Se a posição manter-se inalterada o mergulhador irá bater a cabeça no fundo da piscina. Para Glucker (1975), o mergulhador deve antes de saltar assegurar-se que a piscina é suficientemente profunda e não encobre nenhum obstáculo. Deve-se ter o hábito de segurança para evitar ferir a cabeça.

Segurança durante o mergulho
Para Massena e Pereira (1980), o mergulhador deve sempre manter os olhos abertos durante os saltos, esta aliás é a única maneira de conservar o corpo em equilíbrio e evidentemente uma proteção contra acidentes. Não se deve temer que a água bata nos olhos no momento da entrada. Um reflexo natural os fecha no momento exato. A trajetória continua e em seguida, normalmente os olhos se abrem sobre a água, após uma fração de segundos. Na penetração de cabeça o segredo para conservar o perfeito equilíbrio reside no olhar dirigido para as palmas das mãos.

Segundo Palmer (1990), de todas as amenidades possíveis para o público em geral, a piscina é talvez a mais perigosa, se não usada corretamente e com sensibilidade. Maierá (1999), afirma que a responsabilidade de providenciar cuidados com a saúde é um dos deveres legais dos professores, oferecer assistência de primeiros socorros de emergência até a chegada do pessoal médico e exercer cuidados razoáveis em procurar tratamento para a parte lesada são identificados como obrigações dos líderes esportivos, no que se refere a pessoas envolvidas em programas de educação física e esportes. Orphan (1983), afirma que muitas piscinas são operadas por pessoal sem treinamento e conhecimento no campo e com pequena ou nenhuma experiência ao lidar com administração complexa e gerenciamento de instalações. Sem treinamento adequado de pessoal é quase impossível promover a entidade. A educação profissional para esses indivíduos não deve parar nas universidades ou faculdades, mais deve continuar com seminários, simpósios e clínicas para melhorar habilidades técnicas e conhecimentos.

Segundo Cotten (1993), não se pode permitir a nenhum membro do pessoal que trabalhe na piscina ignorar o papel importante que ele tem na prevenção de acidentes e controle de ferimentos. Quando acidentes acontecem e negligencia for provada, a responsabilidade financeira é, segundo a lei, para administradores ou professores podendo ser enorme. como a natureza e inerente a Educação Física e atividades recreativas (em especial as aquáticas), envolvem riscos de lesões aos praticantes, podendo existir uma subseqüente ação legal, podendo haver uma tendência mundial no acréscimo de números de ações legais praticadas contra instrutores e líderes esportivos. Conseqüentemente os mesmos devem investigar novas estratégias de transferir, reduzir e eliminar riscos.

Objetivo Geral:
Investigar as condições de segurança dos locais onde se pratica a natação.
Objetivo Específico:
a) Aferir o grau de conhecimento dos profissionais da natação na conscientização e prevenção de acidentes na prática do

Veículo: Eduk - Comunidade de professores para troca de experiências em educação

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